Quinta-feira, Julho 08, 2010

rant (pt. 1) or "(...) phase 2, in which Doris meets the midget"

Suppose we as beings let nature as ongoing process to run its course
there never has a rant as such been,
not since Sinatra said something was a song by Lenin
and MacCarthy

Arizona needs a Ocean, as it is
said I as a collecting of haikus
I be a flower child
but that is not me

Schoolkids take to McDonald’s
summoned by their own mentors
who have never been as elusive

There will have happened a train wrack
about three hours ago south of here
but I will not be in it
nor will my tree

Originally I as a author set about entitling this
Tanathos by the sea
he being the greek god of L.A. mort
decided upon not, for shall a sense of his's
be bestowed upon me being in this material world
some would mistakenly understand and claim
I wrote a aptly christened piece

It tastes of cinnamihn a geisha
a saint among men and a lady
in High Savoy the place where I distorted the map of France
an its geography as to compel its tentacles to abound and
embrace the whole of europe and both of the Carolinas
as if pouring sour milk and honey, a caterwauling of sonic noize
into the eers and minds and brains of a thousand kings and queens
a jack of harts and a princesses break down

Like when we met with president Kennady
and knew him from photos and magazines and papers
lodged in the hearts of the young as Exile and Disaster
the figure of which no picutre could eschew nor convey
in any sense of reason and ryme you could conceive

Flames dance slowly around my self
Joan of Arc get'yer boots on
they spoke to me with a voice thousands of years aged
a thousand-year ache in need of being cured

The solace of burning coals cuts through my dead man's dirt
me soars like an long, long gone, long kept secret on resonator steel
a holy grail of sorts, stained bookshelves
a mistake in the unmade bed of Anita Ekberg
not a stone shall unturn itself, the blood in my veins
be the same me spilt on the rosary
sparkling in awe as we walk one endless mile to reclaim
the debris of our souls

Lest we forget white sands are no more.

(original em 5.9.09)

Domingo, Fevereiro 18, 2007

Da paráfrase enquanto simulacro binário, desnuda e crua, com intuito muito indefinido e caráter algo derivativo, porém farsesco.

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Segunda-feira, Janeiro 15, 2007

El crimen no comprende (a.k.a. Cocaína Blues)

– Moço, tem gilete?
– Eita, e pra quê, menino?
– Pra cortar o pulso, porque barba não tenho.
– E isso lá são horas?
– Então me vê uma bala.

Quinta-feira, Novembro 30, 2006

Down by the river to pray

and the water is wide, my friends

Domingo, Outubro 22, 2006

As epifânicas

irmã caminhando
sobre um chão de estrelas entregues
à própria sorte
censuras beijos fadas sabendas

fui eu que inventei o telefone
nem que só pra me livrar dele depois
a todo vapor
canos subterrâneos
crescem por entre os prédios

escuta meu trem chegando
numa toada iluminada por um nada
mais vazio que a própria alma
de passagem desses seres bandidos

cheguei em casa e, num breve minutinho,
não liguei a vitrola, com medo
bonsai na varanda, casulo sem pátria

não me contenham
fiquei muito feliz
quando abri o estojo
e encontrei uma borboleta morta

Terça-feira, Outubro 03, 2006

Odisséia maravilhosa

Um artista polivalente, que se aventura nas mais diversas áreas e formas de expressão do espírito: incursões na literatura (principal e primordialmente) pintura música desenho folia boxe pompoarismo escultura datilografia voyeurismo antropofagia necrofilia badminton culinária paisagismo dança geografia cunillinguus xerox natação tiro-ao-alvo fotografia lavar passar assassinato gula serigrafia corte-e-costura lambe-lambe manutenção-de-saxofones carpintaria tinturaria enologia fellatio agricultura automobilismo bordado ballet jogo-do-bicho corrida pecuária cross-dressing reza filologia.
Nunca alguém dedicou-se tanto a tão pouca fé distante do Paraíso cerca de 3km na Rota 666 número da besta todo elogios ao artista em questão um cão orelha de livros e todo amor do mundo quando muito escorraçado da tua casa em perdão a teus filhos & parentes à sombra do onipotente descansará barulho de guitarra na janela de Júlia na farmácia, não, no mato com farolete, tráfico de drogas descartado pelo morro aula de inglês a barca do esquecimento fora do normal aparelhagem de som assoprador de fantasmas New Orleans madame bruxa (se faz de bruxa, é só burra e suja) perdidos na noite rei lagarto na beira da estrada com índio cego ensangüentado O verde A vermelho U amarelo portas da percepção anamorfa qualquer um interferência de rádio pontas duplas e com frizz 5x5 tração nas quatro rodas de fogo, não tinha medo o homem de pau comprido com marimbondo na ponta bezerro de gente Ulysses vacilão a irmãzinha vai estar esperando obrigado fique com o troco como vai? não diga levantem bem alto suas cumeeiras necessito comprar detergente rabo-de-arraia vazamento no barco psicopata americano em dois tempos praia automóvel olhos de lince & águia mecânica cinco para as duas horas da tarde dinheiro europeu do ano próximo velho safado vendo as dançarinas no Biarritz em feriado nacional T.V. ditadura embaraçada sem poder para gorfar a angústia necessária do tempo amigo da onça palavrão na boca da virgem asa norte explosão.
Baile de verde amarelo capítulo de Detroit via vida louca vida severina chic-chic que comprou uma boutique blues psicografado pelo espírito Bob livin' la vida tosca andar debaixo do colchão de retalhos garrafa de gim tônica moldura nota fiscal um milhão de reais na corte de Bento XVII incluindo impostos descontados pelo fisco em N.Y. City en el día de los muertos fumaça de cigarros manhã tarde noite banda marcial dos trópicos verdades e um, minto, não, cinco minutos em silêncio atenção esposo que situação, hein, amigo? colar de pérola carteira de balanço pensando nisso, não, falando nisso, dois irmãos sonrisal & Macunaíma, não, O Rei, não, herói, volume ou ano 1, 2, 3, 4, 5, o historiador contador maior longe daqui aqui mesmo vale da morte cânion população uma pessoa e meia no norte nulo no sul mais emprego brinco esverdeado do fim do mundo essa atriz em cena musicalmente explícita instalação só usada a medo estátua do índio americano paraguayo para ver se a mulher o estava traindo mata ele chuta ele come o cu dele é muito idiota, que coisa louca sassaricando todo mundo leva a vida no arame o brotinho e a madame aniversário estante virtual a angústia da influência e da linguagem, doutor, calcule as palavras no livro máquina calculadora é uma história policial tomando tônica light com limão fatiado sem gelo haicai em língua inglesa de verdade estudiosos do Monte Fuji Inn.
Não reclames do teu viver de puta; mal-acostumada com o fluxo mensal de 12 a 16 horas por dia sem parar e/para fumar & Rainha Margot torre Eiffel isso não é uma pipa castelo na Irlanda lago olhos vermelhos canta no vocal o canto da EMA Live in Berlin os caras são loucos, se vocês continuarem zuando não vão se formar - calhamaço de bar pedra pome e solo de bateria infame de uma menina tem gente que é inútil será que não tem ninguém aqui que pensa? pulando nos campos do senhor não ligue, não, ligue a verdade se esconde sob os cedros nunca uma violação da guarda florestal dinâmica & + iletrada baladas sangrentas canções de amor líricas pulso de gato morto backing vocal escuta-me. Deshoras.

Sexta-feira, Setembro 22, 2006

Veneno down to your soul

Desembarcando
onde os castrados & caçadores
explodem em bandas de rock and roll
um homem nascido do avesso
atravessa com poeira nos olhos
a distância entre a lua e a sarjeta

He is like... OMG

Vitrais duma vida inteira
vidro ideológico & alma in vitro
vítimas de uma cabala cancerígena
& soropositiva
loucamente lançada
ao longo do conto maravilhoso
post-mortem La Fontaine

Incontinência duma negra consciência negra
pranto dos malditos nas praças povoadas de gentes
marcadas para morrer
& as viúvas no subsolo sob a luz vermelha
da vela de Iemanjá
(depois de meio cigarro aceso)
não venta
no cemitério dos escravos

Prefácio do manual de instruções
do martelo de Thor
(não li) pois não sei controlar meus impulsos homicidas
fotografias queimadas em puteiros públicos
& nos arrabaldes do esfíncter desta cidade
que vos fala

Amor, meu bem
& que me trataste como cachorro
em místico bálsamo & sangue de feras
pernilongo insistente, daquele senso comumente
associado aos sonhos
alicerçado em versões
anêmicas
rascunho de paródias

Três vezes nasceu ainda
três vezes deixou-se infiltrar
no forte abraço
da aurora
da Terra do Fogo
orgulhoso como nunca do reflexo de sanguessuga

Ouvi nos versos xamânicos
a toada dos últimos sinos
que, longe, sob as rodas da carruagem na estrada
de pedras, à sombra de um terço cantaram:
"Did you poison their blood on the prairie
or
Did they tell you to run like hell?
"

Sexta-feira, Agosto 25, 2006

Conto para pessoas que já morreram

Advertência: deixai aqui toda a esperança, ó vós que entrais. (Só não a esqueceis quando fores embora.)

É de conhecimento geral que, na megalópole paulistana, capital opulenta do estado, é muito habitual, para aqueles que têm o costume de freqüentar pontos de concentração cultural e arredores, encontrar autores de poesia a abordar transeuntes no intuito de ofertar e vender sua produção lírica, seja impressa em papéis avulsos, geralmente ao preço de um real ou dois, seja compilada em volumes, comumente bancados do bolso do próprio autor. Não raro, tais self-made men portam-se de maneira despojada, até algo bucólica, adeptos que são de filosofias de vida hippies, alternativas ou zen, alguns até mesmo inspirados pela lembrança da fábula de Dom Quixote. Quanto à receptividade do público aos versos oferecidos, esta é variada: por exemplo, os entusiastas do descobrimento de incursões poéticas que não aquelas presentes nos círculos literários, acadêmicos e mesmo populares, no sentido de grande exposição, normalmente os aceitam avidamente; de modo semelhante procedem aquelas boas almas apenas interessadas em colaborar com os versejadores; e há ainda aqueles que simplesmente os recusam, com veemência ou não.

Isso sabido, tem-se a introdução ao episódio que lhes hei de narrar a seguir e que, por sua vez, por mais que ostente natureza fantástica e sobrenatural, pode ser confirmado e reafirmado impreterivelmente por fontes idôneas, como um colega de pena, por sinal dono da idéia de levar a anedota a prelo, testemunha indireta do ocorrido. Portanto, coloco a veracidade de minha narrativa tranqüilamente a toda e qualquer prova. Ei-la.

O episódio ocorreu, naturalmente, na citada cidade de São Paulo, por volta das sete horas duma noite do mês do cachorro louco, agosto, nas imediações de uma tradicional Universidade, uma livraria e um teatro, no bairro da Consolação ou Vila Buarque, a saber. Quem o protagoniza é um segundo colega de pena, com já dois romances publicados, Memórias de um Amnésio, de mais de seiscentas páginas, e o novíssimo No Silêncio da Bala, autor de vasto catálogo de novelas, contos e ensaios, amante da boa vida e de mulheres, mas com sabido feitio, desde a mais tenra juventude, pelas temáticas do oculto, de magia e mistério, da bruxaria e feitiçaria, e até mesmo dos cultos, da santeria, vodu, da maçonaria e sociedades secretas, da brincadeira do copo, do jogo do bicho, enfim, do misticismo em geral. Tal "fascínio", se é que podemos classificar como tal, não passava, a vista grossa, disso mesmo, de curiosidade, de interesse externo, nunca chegando de fato aos vieses práticos, até por convicção, cautela e muito cuidadinho do colega.

Pois bem, estava o protagonista, o colega de nome ..., caminhando pelas cercanias da área descrita e delimitada acima, depois de jantar num café, indo ao encontro de convivas para uma certa comemoração da qual não sei ou a qual não posso precisar com exatidão, mas, de qualquer maneira, irrelevante para esta história. Ao passar em frente do teatro, num arremedo de ladeira, eis que o colega depara-se com um daqueles autores cujo perfil foi traçado na introdução, vendendo seus poemas: um homem de seus quarenta e poucos anos, esquálido, longos cabelos preto-acinzentados, bigode e barba de profeta sem ver gilete há muito, medalhão pendurado no pescoço, roupas largas e a fleuma que vem de graça com o ofício.

Sendo também um homem de letras, é certo que o colega ... não despreza tal meio de atuação. Porém, tendo um compromisso, não estava com tempo para parar e ouvir a propaganda do homem, que, como esperado, abordou-lhe com o bordão de costume, já a exibir os panfletos:

– Gosta de poesia?

O colega ..., procurando uma maneira direta e prática de dispensar o ofertante, mas ao mesmo tempo sutil o suficiente para não ofendê-lo ou causar má impressão, rapidamente lembrou-se de uma colocação feita por um moço na mesma situação, o qual avizinhou-se na fila de um cinema, onde seria projetada a cinebiografia de um cantor de música country. Sem demora e sem pensar duas vezes, sabiamente valeu-se do instantâneo.

– Obrigado, mas o que eu leio mais são livros espíritas.

Cabe aqui salientar que a referência ao espiritismo nada tem a ver com os interesses escusos do colega ... comentados acima; tal associação nem mesmo passou-lhe pela cabeça, respeitando ele o espiritismo como religião i.e. doutrina i.e. filosofia de vida e nunca colocando-o em par com ocultismos. O que disse foi apenas a reprodução da resposta dada pelo rapaz na fila do cinema.

O homem então respondeu:
– Não tem problema.

Por motivos de força estranha, o colega ... deteve-se de caminhar mais adiante e voltou-se novamente para o homem, apenas para se arrepender de imediato de tê-lo feito, tão tenebrosa foi a presença que então se deu.

– Pois eu próprio sou um espírito de uma pessoa morta – continuou o homem.

O colega ... estava, afinal, na presença de um espectro! Uma entidade vinda do além. A aparição então tomou uma forma pavorosa, de manto negro e aspecto que me recuso a descrever aqui de tão horripilante, como sulcos na madeira formando a cara do diabo. Vale frisar que, de modo algum, afirma-se aqui que a sinistra figura provinha das bandas de Satã, longe disso, é apenas uma figuração utilizada com o intuito de simbologia descritiva (muito menos é feita apologia a tal natureza, se é que assim se pode chamar). Antes que o colega ..., boquiaberto, pudesse esboçar qualquer outra reação que não a de pavor e imobilidade, o espectro desapareceu num piscar de olhos, dissolvendo-se numa nuvem verde-musgo. Mistério.

Posteriormente ao episódio, e por certo superados os impactos de encontro tão inusitado e macabro, o colega ... narrou o ocorrido em diversas e variadas ocasiões, nunca se contradizendo e sempre com grande precisão de factualidade, o que, somado a minha amizade e admiração, garante-me embasamento para a defesa da autenticidade do relato. Contradigam-no, e àquele que o fizer com sucesso pagarei cinqüenta reais!

A moral, meus caros, de tão surpreendente anedota, é aquela: há mais mistérios entre o céu e a Terra do que entre uma boceta virgem e uma que já levou pau.

Sábado, Agosto 19, 2006

Assombrado quando os minutos se arrastam

O sino da igrejinha faz belém blém blão
Deu meia-noite, o galo já cantou
Seu Tranca-Rua é o dono da gira
Oi, corre, gira, que Ogum mandou

– cantiga popular de umbanda

Velha cidadezinha, baluarte do progresso, pela moral e os bons costumes, nem que quisera perdida num mapa ou nos grandes nomes históricos desde os tempos do onça e das capitanias. Uns bons anos mais antiga que a vizinha, esta crescida, porém ainda pueril, correndo atrás da imundície da província. Mas ficou para trás mesmo assim, excomungo e praga rogada de padre (não sei se era estrangeiro) linchado e chutado não têm vacina. Um ataúde deixado no trevo, um espantalho & um vagabundo à sombra do olmo.

Tem lá a igreja no centro, subindo a pracinha com coreto e mendigo, que já foi o homem do saco, mas isso faz tempo, acho que agora vive de aposentadoria (a pracinha também é perto do fórum). Todo dia é domingo e é um fim de tarde, mas não tem missa, céu de estanho ainda não cavocado de estrelas, lençol de duas nuvens matreiras. Um ventinho que não é vento nem faz barulho, as ruas estão todas em casa. Sobre os paralelepípedos que dançam sonolentos entre a igreja e a pracinha passa o rapaz, trazendo uma bicicleta enferrujada com uma carta de baralho na correia. Pára e senta na escadaria. Pode ser terça, quarta ou qualquer feira, mas não tem casamento. Pode ser hoje ou ontem. É quase de noite e a velha enrola fumo.

Antigamente ele não rezava (e vês que é novo), mas agora é de costume, quando lembrou do que se deu na estradinha da fazenda, tardão de madrugada, e olha que não acreditava mais em lobisomem, que na verdade era o açougueiro da vilinha perto da Veado. Tinha a impressão que uma árvore o estava seguindo, com raiz e tudo, sujando de terra a estrada de terra. Mas não era. O mesmo ventinho que não era vento, mas então fazendo um barulhinho que mal era barulho. Do meio do mato saiu um cachorro, depois outro e mais um, cada um bitelo e preto que nem o Cão, e os olhos avermelhados daquele que estava bebendo no inferno, cheio de carrapato.

– Se for o diabo então aparece.

Não é que o ventinho virou vento, o barulhete virou o latido das bestas e o rapaz sentiu um arrepio que nem flecha de arqueiro, que quase que sai do corpo. A memória foge dessas coisas e, sentado na escada diante da pracinha, não lembrou mais. A velha já puxava fumo, um olho de vidro procurando o rosto na madeira. Uma sauvinha se aproxima dele, que monta na bicicleta e vai embora. A carta de baralho marca um ritmo na correia. Detrás da igreja a imaginação se atiça, porteira das almas. Não tem casamento, nem missa, mas amanhã tem enterro sem velório. Eu sempre quis uma caveira de boi.

Domingo, Agosto 06, 2006

Retaliação

Were you there [when they crucified my Lord]?