quinta-feira, julho 20, 2006

Please call me sassy (Vol. I)

Your pussy

It tastes like America

quarta-feira, julho 19, 2006

Lua de arsênico & perfume de gardênia

É quanto o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia procurando por um
– Zé Ramalho

De súbito, o olho do telescópio tremula anuviado; com mil diabos. Não – é brincadeira. Prima pelos seus devaneios e desejos sub-ocultos, temperamento de rei e vidros quebrados, o que será isso que dá até medo?

Sangue no carpete é sinal de prosperidade, afinal. Valsa de Strauss em 78 rotações invertidas trazendo mensagens satânicas, blém-blém, toca o sino, toada da meia-noite do jardim do bem e do mal. Contunde e desperta, segue um desconhecido tropeçando no seu chão de estrelas. Guerra civil nos planos superiores, nada pode nos deter. As the hourglass keeps turning, perco a cabala da inocência & sordidez & ironia desse mundo prostituto, o próximo sai às onze. Sobrou ainda um mapa do tesouro, tesoura com a qual matou a amante a tesouradas, quantidades indefinidas de pó de serragem, trinta e sete pontos na jugular e uma fissura nos nervos. Vinte e poucos anos depois, numa cama de palha e bronze.

Uma seqüência de eventos (que em nada lembra um passado glorioso) que não culmina em ápice algum. Água debaixo da ponte. Goodbye, sweet Doctor. Norma Jean. Uma tulipa louca que vive de amor e foguetes & vertigem, corta o pulso da cidade o trem metropolitano. Partitura erótica dum viajante desvairado encucado com psicodelia & travestis. Tem nas mãos o segredo da criação. Deixou um bilhete suicida ao lado do copo de milk-shake de morango; não vou demorar. Baderna efervescente em doses homeopáticas diárias, tédio de barbitúricos, pelamordeDeus, queria poder te mandar calar a boca, mas nem isso dá, tenha dó, depois/... Universo de zíper e rock and roll, cem dias de solidão, paciência desenhada a nanquim, traçada na tua pele de cetim sem tatuagem nem anestesia.

O barquinho vai tranqüilo, pianinho e libertino, não há piratas na cidade do pecado. Cinema argentino e mulheres demasiado inteligentes, capoeira, rabo-de-arraia no fio de alta-tensão, Beatles for babies. Escuto passos no fundo do poço. Imagina se eu fumasse maconha. Eu gosto é de beijo em filme de bang-bang.

Sempre andei na linha pela estrada de Rouen, qual seria o paradeiro de meu álibi? Bondes alados obstruem a visão das nuvens. Escaravelhos e Elvis A. Presley, agulha de jukebox & radiola quebrada com enfeites de marfim. Southern Comfort & Pearly Gates me esperam em pastos verdes. Stillwater runs deep.

Tempos idos, últimos restos do resto da tua vida; tudo isso e mais um pouco. Morcego-vampiro com medo de gente, sem essência que só. Carros antigos na garagem, lenha amontoada e uma escada sem altura. Não vês que estão dormindo? Prefiro jogar-me na correnteza como um grão de mostarda. Rocinante vem o imperador das fadas. Um olho cego vagueia procurando por um.

quarta-feira, julho 12, 2006

Darkness at the break of dawn

I. Vá, vá, vá, seguem as putas da rua Aurora. Pelo nome e a glória de nosso sinhô caboclo saravá, foi até as duas da madrugada. Ataque suicida, com remédio de garganta, delírio e língua dormida. Memórias do catre: um prédio de uns três ou quatro andares, mas com três paredes apenas; o chão feito de lascas de madeira brilhante, portas aqui e ali abrindo do nada para lugar nenhum (para melhorar, no escuro), escada de correr em espiral reta. Gatos coloridos pintados de teclas de piano azuis e dentes, sorridentes, correndo e chacoalhando os martelos pra lá e pra cá, muito bonito. Não viu porque estava ou muito perto ou muito longe dos limites da sua alucinação, seu tosco. Persona non grata.
Acordou no País das Maravilhas lelé da cuca e drogado, uma música zunindo na cabeça (ou era na cabecinha?). Deus do céu! Todo mundo sabe que os seres humanos usam somente 10% da capacidade do cérebro, mas gastam 150% esvaziando-o, no intuito de ganhar erudição. Vagabundamente o vento sopra.

II. Sublimes pompa e circunstância, que brisa infame. Verdade seja dita, um tão jovem antigamente é o que determina a volta dos que não foram; morre, cabeça. Uma molecagem no décimo-primeiro round! Work in progress esboçal; dança o twist, James Joyce. Blefe invisível que não irrita. E aquele velho gay? Tempos modernos estão por/vir...

III. Chafurda no matagal de lixo tóxico da memória, há de encontrar o que procuras. Carta aberta a Ninguém, plata queimada e doce Maria. Escolhe: ou dá o bote ou chora cântaros. Os dois, não dá. Clareia o salão em nome dos velhos tempos, que aí vem. Lata de Coca e o tele-sexo de Tom Waits. Katharine, que fugiu do Cirque du Soleil, se esconde debaixo de minhas cobertas, com direito a selvageria. Quero ver agora: se ficar, o bicho come, se correr, ele come também. Largo do Bixiga, número 13. Cheesecake, s’il vous plaît. Últimos ritos em Paris, reinações de Ceci na história do punk & Nabokov, orgasmos com limão e gelo, grita no meio da rua! [...] a família é uma instituição [...] Assim como a vaca é sagrada na Índia e o casamento em lugar nenhum. Grita [...]. Eternamente sublime.