sexta-feira, setembro 22, 2006

Veneno down to your soul

Desembarcando
onde os castrados & caçadores
explodem em bandas de rock and roll
um homem nascido do avesso
atravessa com poeira nos olhos
a distância entre a lua e a sarjeta

He is like... OMG

Vitrais duma vida inteira
vidro ideológico & alma in vitro
vítimas de uma cabala cancerígena
& soropositiva
loucamente lançada
ao longo do conto maravilhoso
post-mortem La Fontaine

Incontinência duma negra consciência negra
pranto dos malditos nas praças povoadas de gentes
marcadas para morrer
& as viúvas no subsolo sob a luz vermelha
da vela de Iemanjá
(depois de meio cigarro aceso)
não venta
no cemitério dos escravos

Prefácio do manual de instruções
do martelo de Thor
(não li) pois não sei controlar meus impulsos homicidas
fotografias queimadas em puteiros públicos
& nos arrabaldes do esfíncter desta cidade
que vos fala

Amor, meu bem
& que me trataste como cachorro
em místico bálsamo & sangue de feras
pernilongo insistente, daquele senso comumente
associado aos sonhos
alicerçado em versões
anêmicas
rascunho de paródias

Três vezes nasceu ainda
três vezes deixou-se infiltrar
no forte abraço
da aurora
da Terra do Fogo
orgulhoso como nunca do reflexo de sanguessuga

Ouvi nos versos xamânicos
a toada dos últimos sinos
que, longe, sob as rodas da carruagem na estrada
de pedras, à sombra de um terço cantaram:
"Did you poison their blood on the prairie
or
Did they tell you to run like hell?
"