quinta-feira, junho 22, 2006

Tragos esquecidos de um verão passado na companhia de estranhos

Linkáme a tus sueños de flores de marfim regadas com cinzano e de estalinhos e desastres cristalinos sob a forma de moçoilas.

– Vamos ao cinema.
– O senhor é muito elegante.

Fervor (des)comedido, o ocaso gazeteiro bombeando Stella Artois quente em suas artérias, naturalmente velhacaria da parte de Lucíola, e daquela menina areia que tocava guitarra flamenca na porta da capela. Prólogo de aparências: puro engodo em estado de repouso (parado).

Tremendo corre-corre lá fora! O moço amoita-se debaixo da flor de laranjeira sem fazer barulhinho sequer, mas é denunciado pela água-de-colônia. Vítima de feitiçaria com língua de vaca dentro duma bilha (do tempo do onça), o amoitado acabou condenado, coitado. Seria ele a bruxa?

Um animal vem a todo vapor. Viborinha, aquela moça. Pudica que só, frente-e-e-verso. Olhá lá.

– Dolores no cais do porto.
– Sumiu minha cartola, já nem sei mais quando, como e donde. Teria sido no bordel? Tipo um cramulhão, sabe?
– Tamanha era sua vontade de viver que bebeu cicuta pensando que era leite.
– Parecia um deus grego, gente. Filósofo.

Nada como tais quitutes tão exóticos, não? Atendendo a pedidos, a paráfrase (minueto em tom menor) duma já falecida tia senhora, mas muitíssimo gente fina, a quem acabei de ser apresentado mais ou menos: "Só a Poesia salva". Ei-la:

A vida é muito poemática
Diz o velhaco, poeta rabugento
Ao guardar a dentadura.

Bestiário vag(ue)ando mares de cânfora, razão não tens. Un chat méchant in a full moon fever. Pela manhã e a noite toda no salão de jogos. O outro, pobre diabo, depois de absolvido e curado levou uma saraivada de balas a céu aberto.

(É muita buniteza junta)