Lua de arsênico & perfume de gardênia
É quanto o tempo sacode a cabeleira
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia procurando por um
– Zé Ramalho
De súbito, o olho do telescópio tremula anuviado; com mil diabos. Não – é brincadeira. Prima pelos seus devaneios e desejos sub-ocultos, temperamento de rei e vidros quebrados, o que será isso que dá até medo?
Sangue no carpete é sinal de prosperidade, afinal. Valsa de Strauss em 78 rotações invertidas trazendo mensagens satânicas, blém-blém, toca o sino, toada da meia-noite do jardim do bem e do mal. Contunde e desperta, segue um desconhecido tropeçando no seu chão de estrelas. Guerra civil nos planos superiores, nada pode nos deter. As the hourglass keeps turning, perco a cabala da inocência & sordidez & ironia desse mundo prostituto, o próximo sai às onze. Sobrou ainda um mapa do tesouro, tesoura com a qual matou a amante a tesouradas, quantidades indefinidas de pó de serragem, trinta e sete pontos na jugular e uma fissura nos nervos. Vinte e poucos anos depois, numa cama de palha e bronze.
Uma seqüência de eventos (que em nada lembra um passado glorioso) que não culmina em ápice algum. Água debaixo da ponte. Goodbye, sweet Doctor. Norma Jean. Uma tulipa louca que vive de amor e foguetes & vertigem, corta o pulso da cidade o trem metropolitano. Partitura erótica dum viajante desvairado encucado com psicodelia & travestis. Tem nas mãos o segredo da criação. Deixou um bilhete suicida ao lado do copo de milk-shake de morango; não vou demorar. Baderna efervescente em doses homeopáticas diárias, tédio de barbitúricos, pelamordeDeus, queria poder te mandar calar a boca, mas nem isso dá, tenha dó, depois/... Universo de zíper e rock and roll, cem dias de solidão, paciência desenhada a nanquim, traçada na tua pele de cetim sem tatuagem nem anestesia.
O barquinho vai tranqüilo, pianinho e libertino, não há piratas na cidade do pecado. Cinema argentino e mulheres demasiado inteligentes, capoeira, rabo-de-arraia no fio de alta-tensão, Beatles for babies. Escuto passos no fundo do poço. Imagina se eu fumasse maconha. Eu gosto é de beijo em filme de bang-bang.
Sempre andei na linha pela estrada de Rouen, qual seria o paradeiro de meu álibi? Bondes alados obstruem a visão das nuvens. Escaravelhos e Elvis A. Presley, agulha de jukebox & radiola quebrada com enfeites de marfim. Southern Comfort & Pearly Gates me esperam em pastos verdes. Stillwater runs deep.
Tempos idos, últimos restos do resto da tua vida; tudo isso e mais um pouco. Morcego-vampiro com medo de gente, sem essência que só. Carros antigos na garagem, lenha amontoada e uma escada sem altura. Não vês que estão dormindo? Prefiro jogar-me na correnteza como um grão de mostarda. Rocinante vem o imperador das fadas. Um olho cego vagueia procurando por um.
A trança toda vermelha
Um olho cego vagueia procurando por um
– Zé Ramalho
De súbito, o olho do telescópio tremula anuviado; com mil diabos. Não – é brincadeira. Prima pelos seus devaneios e desejos sub-ocultos, temperamento de rei e vidros quebrados, o que será isso que dá até medo?
Sangue no carpete é sinal de prosperidade, afinal. Valsa de Strauss em 78 rotações invertidas trazendo mensagens satânicas, blém-blém, toca o sino, toada da meia-noite do jardim do bem e do mal. Contunde e desperta, segue um desconhecido tropeçando no seu chão de estrelas. Guerra civil nos planos superiores, nada pode nos deter. As the hourglass keeps turning, perco a cabala da inocência & sordidez & ironia desse mundo prostituto, o próximo sai às onze. Sobrou ainda um mapa do tesouro, tesoura com a qual matou a amante a tesouradas, quantidades indefinidas de pó de serragem, trinta e sete pontos na jugular e uma fissura nos nervos. Vinte e poucos anos depois, numa cama de palha e bronze.
Uma seqüência de eventos (que em nada lembra um passado glorioso) que não culmina em ápice algum. Água debaixo da ponte. Goodbye, sweet Doctor. Norma Jean. Uma tulipa louca que vive de amor e foguetes & vertigem, corta o pulso da cidade o trem metropolitano. Partitura erótica dum viajante desvairado encucado com psicodelia & travestis. Tem nas mãos o segredo da criação. Deixou um bilhete suicida ao lado do copo de milk-shake de morango; não vou demorar. Baderna efervescente em doses homeopáticas diárias, tédio de barbitúricos, pelamordeDeus, queria poder te mandar calar a boca, mas nem isso dá, tenha dó, depois/... Universo de zíper e rock and roll, cem dias de solidão, paciência desenhada a nanquim, traçada na tua pele de cetim sem tatuagem nem anestesia.
O barquinho vai tranqüilo, pianinho e libertino, não há piratas na cidade do pecado. Cinema argentino e mulheres demasiado inteligentes, capoeira, rabo-de-arraia no fio de alta-tensão, Beatles for babies. Escuto passos no fundo do poço. Imagina se eu fumasse maconha. Eu gosto é de beijo em filme de bang-bang.
Sempre andei na linha pela estrada de Rouen, qual seria o paradeiro de meu álibi? Bondes alados obstruem a visão das nuvens. Escaravelhos e Elvis A. Presley, agulha de jukebox & radiola quebrada com enfeites de marfim. Southern Comfort & Pearly Gates me esperam em pastos verdes. Stillwater runs deep.
Tempos idos, últimos restos do resto da tua vida; tudo isso e mais um pouco. Morcego-vampiro com medo de gente, sem essência que só. Carros antigos na garagem, lenha amontoada e uma escada sem altura. Não vês que estão dormindo? Prefiro jogar-me na correnteza como um grão de mostarda. Rocinante vem o imperador das fadas. Um olho cego vagueia procurando por um.

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